Extended Network Banners troca de banners link e divulgação de sites site gratis Bolsa de Valores Bovespa Ibovespa Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Plano diabólico

- É verdade... Casei, mas não foi com a velha, foi com uma das duas filhas, a Teresa...

- Não entendo - disse Joaquim inquieto...

- Eu passo a explicar... Como deve imaginar, é um pouco complicado casar com uma senhora de tão elevada idade sem que levante suspeitas. Mas voltando atrás... Não foram tanto os meus colegas que me chatearam e convenceram a casar. O que se passou é que ao examinar a certidão do testamento verifiquei que a velhota, a senhora Clotilde, era mãe de uma grande amiga de infância, que por sinal também era solteira.

- Estou a ver, meu manganão - disse Joaquim divertido.

- Pois é... Sabendo que a mãe da minha colega tinha tanto dinheiro, não tinha nada a perder em tentar a minha sorte.

- Não está mal pensado - responde Joaquim, ao que o Fernando se antecipou.

- Mas não pense que a minha história acaba aqui. O meu plano apresenta contornos muito mais escuros do que possa imaginar.

- Bem... Então conte lá - Diz Joaquim muito curioso.

- Eu ainda não lhe disse, mas a Teresa, a filha solteira da Dona Clotilde, era uma rapariga de 32 anos que nunca tinha tido um namorado. É talvez a rapariga mais feia que conheço, baixa, gorda, cheia de acne, dentes tortos e uma verruga mesmo no meio do nariz. Um verdadeiro bicho.

- Não diga isso, meu amigo - disse Joaquim para o animar...

- Você diz isso, porque não a conhece, mas um dia que a apresente verá que tenho razão e de que quando Deus estava a distribuir as qualidades dos humanos deveria estar muito mal disposto quando chegou a vez da bruxa da Teresa. Mais... Além de feia, quer dizer, monstruosa, tinha a ideia completamente fixa em produtos de beleza, medicamentos para emagrecimento, cremes para a pele, champôs especiais para o cabelo, enfim, uma verdadeira farmácia ambulante. Julgo que no dia em que morrer terá de ser incinerada como um qualquer produto tóxico.

Fernando Santos


A pedido de muitas familias, aqui apresentamos mais uma personagem do nosso Romance Cor de Rosa, o desconsolado Fernando Santos...

quinta-feira, 5 de abril de 2007

A herança

- Tudo começou num belo dia de Setembro em que, no notário onde trabalho, o Jorge, um colega meu, a pessoa mais cuscuvilheira e intrometida que eu conheço, me mostrou a cópia de um testamento que tinha entrado recentemente nos serviços daquele notário.

- Um testamento? - Perguntei - Isto está a aquecer.

- Sim, um testamento. Tratava-se de uma herança de quantias muito elevadas que uma senhora viúva iria deixar às suas duas filhas. O mais interessante do testamento, e foi essa a causa do interesse do Jorge, era, além do elevado montante que estava envolvido, o facto de dizer respeito a uma velhota de 93 anos.

- Mas isso parece-me uma coisa perfeitamente normal. Uma senhora de idade fazer um testamento, responde Joaquim...

- Pois, mas foi o assunto do dia lá no notário. Quase todo o pessoal brincava dizendo que casaria com a velha se fossem solteiros. O problema é que eu era o único solteiro naquele grupo e não pararam de me chatear a dizer que deveria casar com a velha.

- Eu compreendo - disse Joaquim - por vezes os nossos colegas não têm o sentido do razoável e chateiam-nos por tudo e por nada.

- O problema é que tanto me chatearam que a história começou a entrar no meu pensamento.

Todo excitado, Joaquim pergunta,

- Não me diga que acabou por casar com a senhora. Agora eu me lembro que quando falámos há pouco se referiu a qualquer coisa relacionada com casamento...

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Guarda Joaninha


Caros amigos,

Apresento-vos a Guarda Joaninha. Quem diria que uma cara tão doce poderia ser tão cruel...

terça-feira, 3 de abril de 2007

Bruxa, feia e gorda

Devo dizer que sou muito envergonhado, mas a minha curiosidade estava a dar cabo de mim. Não percebia como é que uma pessoa com tão bom aspecto e roupas que me pareciam de qualidade, poderia ser tão infeliz. Não resisti em perguntar,

- Então diga-me lá, Fernando. O que é que tanto o atormenta que o deixa nesse estado tão... digamos... aéreo?

Sempre pensei que ele não iria responder. Afinal conheciamo-nos há cinco minutos, mas supreendentemente ele falou.

- Olhe Joaquim, tu não sabes o que tem sido a minha vida desde que decidi casar com aquela bruxa, feia e gorda.

- Não diga isso, Fernando... - Tentei animá-lo, mas não consegui tal era o desespero deste meu novo amigo...

- Diz-me isso porque não a conhece... Se a conhecesse, tenho a certeza que concordaria comigo...

- Mas o que é que a sua esposa lhe fez? - Perguntei batendo todos os recordes de impertinência.

- É uma longa história - Responde Fernando - Mas acho que necessito de desabafar. Tem tempo e paciência para me aturar durante várias horas?

- Bem... - Pensa Joaquim - Atrasado já estou. Por isso, pode começar.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Encontro fortuito

Com tantos problemas nem sequer tive tempo de pensar na minha incógnita amada com um nome iniciado por M. Seria Mariana, Marta, Maria Manuela? Não... Maria Manuela é que não. Cruzes canhoto.

Ia nos meus pensamentos quando ao passar em frente ao café do Zé das bifanas, choquei com um senhor que estava tão ou mais distraído que eu.

De imediato lhe pedi imensas desculpas pela minha distracção, mas enquanto me desculpava verifiquei que o senhor estava completamente destroçado, lamentando-se,

- Peço imensa desculpa. Sabe como é... Uma pessoa tem tantos problemas em que pensar que depois se esquece que temos de prestar atenção às outras pessoas que andam na rua - lamentava-se.

O senhor estava tão transtornado que até dava pena só de olhar para ele. Não o podia abandonar naquele estado. Convidei-o para ir tomar um café ao Zé das bifanas.

Sentámo-nos numa mesa da esplanada e iniciámos a nossa conversa, com o meu colega a iniciar as hostilidades,

- As minhas sinceras desculpas pelo sucedido. Estas minhas distracções ainda vão acabar mal. Veja bem que um dia ia tão distraído que bati com a cabeça num poste da electricidade que até desmaiei. Sabe como é... São os problemas desta vida que não nos deixam andar descansados... Mas, meu amigo, o que evitou males maiores foi o intenso cheiro a champô que me chegou ao nariz e me fez levantar a cabeça para ver o que passava... Infelizmente não foi a tempo de evitar este pequeno acidente.

- Sabe, meu amigo - interrompeu Joaquim - Eu também não posso dizer que esteja a ter uma vida totalmente descansada e feliz. Também tenho os meus problemas e ultimamente não têm sido tão poucos quanto isso...

Por mais que Joaquim evitasse, os cheiros continuavam a ser o tema principal da conversa,

- Desculpe que lhe diga, mas a ver pelo aspecto e cheiro do seu cabelo vejo que a vida não lhe está a ser fácil. Aliás, quando embati consigo pensei que tinha chocado com um vagabundo e que a carteira já me tinha sido gamada.

- Bem... Acho melhor mudarmos de assunto - diz Joaquim envergonhado - Estamos aqui a falar e ainda não nos apresentámos. Eu chamo-me Joaquim, e o senhor, como se chama?

- Fernando... Fernando Santos - apresentou-se esticando a mão - muito prazer em conhecê-lo...

domingo, 1 de abril de 2007

Banho gelado

Chegado a casa deparo-me com milhares de folhetos de publicidade na caixa do correio, misturados de uma resma de contas para pagar... Nem quis saber... Queria era ir dormir...

Acho que as últimas peças de roupa já as despi a dormir. Caí na cama que nem um patinho. E dormi, dormi, dormi, até que tocou aquele maldito despertador... Pippp... Pippp... Pippp.

Eu lembro-me de ter ouvido qualquer coisa, mas não liguei, até que olhei para o lado e verifiquei que já eram quase 10 horas e o meu horário de entrada é às 9 horas.

- Raios... já vou ter de correr outra vez! - gritei de desespero - Vejo que o dia me está a correr bem.

Salto da cama, corro para a casa de banho para tomar um duche rápido quando o mundo caiu a meus pés. Não havia gás. Como tinha estado hospitalizado durante quinze dias, como é óbvio, não paguei a conta e zás... Cortaram-me a porcaria do gás.

Bem... Parece que vou ter de tomar um belo banhinho gelado... Breeee... Breeee... Dizem que faz bem aos ossos... Eu não acredito...

Abri a torneira e cairam do choveiro autênticos cubos de gelo. Estava a ser um inverno rigoroso e Janeiro é sempre Janeiro.

Pus um capacete para não partir a cabeça e abri a maldita torneira. O que custa mais são os primeiros trinta segundos. A partir daí, o corpo fica anestesiado e já nem sentimos nada.

O problema agora eram os vizinhos a reclamar pelo barulho dos meus dentes a baterem como castanholas.

Ensaboei-me energicamente para ver se o corpo aquecia e, quando liguei a torneira para tirar a espuma do sabonete e do shampô, nada saía. Inicialmente pensei que o choveiro tinha congelado, mas não...

- Porra. Não me digam que além do gás, também me cortaram a água. O que vou fazer agora? - Gritei desesperado - Bem... Tenho de me limpar com uma toalha e seja o que Deus quizer.

Fiquei horrivel com um cheiro estranho no corpo e com o cabelo todo empastado por causa do excesso de champô. Só espero que hoje não chova, porque se isso acontecer fico a parecer um maluco depois de sair de uma festa de espuma.

Preparei o pequeno almoço sempre na expectativa de ver quando iria faltar a electricidade, também devido a falta de pagamento. Nada aconteceu. Até estranhei.

Acabei de me vestir, peguei no meu guarda chuva e na minha pasta e pûs-me a caminho do trabalho.